Obesidade feminina: o que você precisa saber

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Quando o assunto é obesidade feminina, os questionamentos são diversos e vão das causas às consequências. Mulheres ganham peso mais facilmente? Têm mais dificuldade para emagrecer? Quais as implicações da obesidade em mulheres?

Desmistificar a relação entre as mulheres e a obesidade é essencial para entender que riscos, afinal de contas, a mulher tem na relação com o excesso de peso.

Por isso, em celebração ao Mês da Mulher, decidimos abordar esse assunto, de ponta a ponta. Vamos entender a obesidade em mulheres – das causas às consequências – e evidenciar a necessidade de tratamento dessa doença. Vamos lá!

Obesidade feminina: fácil de chegar, difícil de sair?

Existe, no senso comum, uma noção de que as mulheres têm mais facilidade em ganhar peso e mais dificuldade em perdê-lo, acendendo o alerta em casos de obesidade. Verdade ou preconceito?

Até certo ponto, é verdade. A questão é que a genética “programa” o homem para ter, na sua distribuição de massa, mais músculo (massa magra) do que a mulher. Por outro lado, a mulher tende a ter mais gordura do que o homem em sua composição.

Essa tendência dificulta a luta da mulher contra a obesidade, pois a massa muscular é responsável por estimular a aceleração do metabolismo. Assim, se a proporção de músculo é menor, a mulher gasta proporcionalmente menos calorias.

Além disso, há outro problema, conforme apontado pelo endocrinologista Bruno Halpern: na mulher, o gasto calórico por grama de massa muscular é menor. Ou seja, a mulher não apenas tende a ter menos massa muscular que o homem, como proporcionalmente essa massa consome menos energia.

A mulher também encontra problemas com a leptina. A leptina é o hormônio da saciedade, responsável por avisar ao cérebro, enquanto se está comendo, que é hora de parar de comer e acelerar o gasto calórico. O organismo feminino tem certa resistência à leptina, que, nele, acaba agindo mais lentamente.

Hormônios e emagrecimento

Outros agentes fundamentais no processo de ganho e perda de peso da mulher são os hormônios.

Estrógeno e progesterona, como alguns dos hormônios produzidos pelo corpo da mulher, são suscetíveis a grandes variações ao longo da vida, afetando o metabolismo. Essas oscilações podem, eventualmente, dificultar a perda de peso. Até mesmo as variações hormonais provocadas pelo período menstrual podem atrapalhar no emagrecimento.

A própria prevalência do estrógeno, hormônio sexual feminino – e menor quantidade de testosterona, o hormônio sexual masculino – facilita a maior proporção de gordura nos índices de massa corporal da mulher.

Essa grande interferência dos hormônios favorece o ganho de peso, pois é voltada para criar condições favoráveis à maternidade, acumulando gordura – e, portanto, energia – para o momento da gestação.

A menopausa também joga contra a mulher na luta contra a balança. Durante o período da menopausa, a baixa produção de hormônios sexuais estimula a produção de uma enzima, conhecida como Aldh1a1, que facilita o acúmulo de gordura no corpo.

Na verdade, até o próprio fato de engordar tende a provocar um desequilíbrio hormonal, facilitando um novo ganho de peso. É um potencial ciclo vicioso muito perigoso para a mulher, que, se já estiver acima do peso, pode rapidamente chegar à obesidade.

As implicações da obesidade feminina

Além de terem mais facilidade para ganhar peso e dificuldade para perdê-lo, as mulheres ainda sofrem problemas específicos quando chegam a um quadro de obesidade.

Naturalmente, já contam com todas as consequências naturais da obesidade, independentemente de sexo: risco elevado de desenvolver doenças cardiovasculares, hepáticas, renais, hipertensão, diabetes, entre muitas outras implicações.

Porém, além disso, a obesidade impacta especificamente as mulheres no âmbito reprodutivo. Tanto a fertilidade quanto a gestação são prejudicadas pela obesidade; vamos entender como e por quê.

Na obesidade, engravidar é mais difícil

Vimos que a obesidade pode gerar um desequilíbrio hormonal na mulher. Essa situação atinge os hormônios produzidos pela hipófise, que, por sua vez, estão relacionados à ovulação.

Assim, o resultado é que as mulheres obesas podem ficar longos períodos sem ovular (anovulação). Como, sem ovulação, não pode haver concepção, o resultado é a infertilidade: mulheres obesas têm três vezes mais chances de sofrer infertilidade anovulatória do que aquelas com IMC normal.

No entanto, a maior chance de infertilidade acomete também mulheres obesas que ovulam normalmente.  A obesidade está associada a óvulos de melhor tamanho e menor taxa de fecundação, entre outras consequências que dificultam muito a concepção. Até mesmo na reprodução assistida o índice de sucesso das mulheres obesas é menor.

Durante e depois da gravidez: os riscos da obesidade

Além da dificuldade para engravidar, mulheres obesas enfrentam uma série de problemas também durante a gestação. O ganho de peso pode ser ainda maior durante essa fase, bem como o risco de diabetes gestacional e síndrome hipertensiva.

Mulheres obesas ainda correm maior risco de macrossomia fetal (feto muito pesado), parto prematuro, eclampsia, infecções e sangramento pós-parto. Em suma, as chances de uma série de fatores de risco para a mulher aumentam quando se tem obesidade.

Além disso, os riscos atingem os bebês, que correm maior risco de internação em UTI e morte no período neonatal. A possibilidade de nascer com anomalias congênitas é, também, maior para bebês concebidos por mulheres obesas.

Por fim, vencendo essas etapas, a criança tem muito mais chances de sofrer com obesidade infantil e também pode apresentar distúrbios no metabolismo da glicose, com tendência ao diabetes.

A necessidade de tratar a obesidade feminina

As dificuldades que a mulher enfrenta com a obesidade – tanto em lutar contra ela, quanto em relação às suas consequências – evidenciam a necessidade de tratá-la.

A saúde deve estar em primeiro lugar: a mulher obesa precisa priorizar o seu tratamento, de forma a abandonar o quadro de obesidade e manter o seu peso ideal… com saúde!

Essa é a nossa razão de existir. Aqui na Clínica da Obesidade, contamos com uma equipe multidisciplinar especializada no tratamento (sem cirurgia!) da obesidade severa. São mais de 10 anos de experiência nos cuidados com a sua saúde, inclusive de muitas mulheres.

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